CARPET DIEM (Diário de Projecto)

Esta publicação tem como objetivo documentar o projecto desenvolvido pelo FabLab Lisboa em colaboração com a artesã Carina Trigueiros da Associação de Artesãos da Região de Lisboa convidada no âmbito da maior mostra de invenções, criatividade e engenho a acontecer de 18 a 20 de Setembro em Lisboa: Maker Faire Lisbon.

#digitalcrafts

SEXTA-FEIRA, 7 AGOSTO 2015
Visita ao Dóing.
Encontro na oficina Dóing do Pavilhão do Conhecimento com Lúcia Ferreira, coordenadora do espaço, e a maker Filipa Tomaz que está a ajudar a artesã Carina Trigueiros nas suas explorações pelo mundo dos wearables.

QUARTA-FEIRA, 19 AGOSTO 2015
Encontro ao Final da Tarde.

Juntámos no Fablab Lisboa a arquiteta/ artesã Carina Trigueiros e a arquiteta/maker Filipa Tomaz para mais uma troca de ideias sobre wearables.

No âmbito do projeto #digitalcrafts do Fablab Lisboa, a Carina está a explorar a utilização de novas tecnologias para a produção de acessórios de moda em alcatifa. Fez uns primeiros testes de corte e gravação de padrões com a cortadora laser e a alcatifa sobreviveu.

Hoje espalhámos na mesa do Fablab todos os materiais, componentes de circuitos elétricos e pequenos gadgets que a Filipa trazia na mochila e a conversa andou em torno dos soft circuits. Surgiram algumas ideias que a Carina vai desenvolver para o workshop da Maker Faire de Lisboa mas ainda não revelamos quais.


25 AGOSTO 2015
“Pacman I”

Combinámos mais uma manhã de experimentação com a artesã Carina Trigueiros no FabLab Lisboa. A Carina apareceu com a mala cheia do seu material preferido — a alcatifa — e das ferramentas do costume: tesoura, agulha de coser, pistola de cola-quente, etc. É com este material e com estas ferramentas que cria os acessórios de moda da marca CIS3.

Mas desde que a Carina começou a participar no projeto de #digitalcrafts do Fablab Lisboa e que a pusemos em contacto com makers como a Filipa Tomaz, na sua mala começaram a aparecer também leds, pilhas, alicates e um fio condutor acabadinho de comprar no Martim Moniz.

 

 

Normalmente a Carina corta a alcatifa manualmente, usando moldes ou uma máquina manual que permite cortar formas arrendondadas básicas, como círculos, flores e outras que nunca chegou a usar. Para fazer os Pacman — um sucesso de vendas garantido e a estrela da peça que está a criar — tem que cortar dezenas de círculos na máquina e depois recortar as bocas à mão. É um trabalho repetitivo e demorado. E paga-se com algumas tendinites. Na cortadora laser cortamos formas bem mais complexas em apenas alguns segundos.

 

 

Quando pergunto à Carina se está a pensar usar máquinas como a cortadora laser para fazer os seus trabalhos daqui para a frente, a resposta é um entusiasmado “estooooou!”. As horas passadas a fazer trabalhos repetitivos não são a parte essencial do trabalho de um artesão. Se conseguir poupar tempo nessas tarefas, sobra-lhe mais para a parte criativa e para a experimentação.

 

 

A Carina já vinha com uma ideia mais ou menos definida para a peça que vai produzir no workshop da Maker Faire de Lisboa. Assim que começámos a cortar a alcatifa surgiu uma primeira alteração ao plano inicial. Em vez de colar as figuras do Pacman e dos fantasmas numa tira de alcatifa, porque não embuti-las?

Gostámos do resultado mas percebemos que, para que o acabamento fique perfeito, não podemos usar os desperdícios dos cortes. A cortadora laser “consome” uma quantidade significativa de alcatifa, por isso vamos ter que cortar o positivo das imagens com uma dimensão ligeiramente superior ao negativo.

 

 

Fizemos ainda alguns testes de gravação na alcatifa, o que lhe altera o aspeto visual, a textura e também a maleabilidade. A explorar, sem dúvida.

Na próxima sessão regressamos à cortadora laser, já com os desenhos finais. Entretanto, voltámo-nos para os circuitos elétricos maleáveis — uma estreia da Carina enquanto artesã.

 

Para já, fizemos apenas um protótipo, para nos certificarmos que o circuito estava bem desenhado e que todos os materiais são bons condutores (usámos um fio metálico bastante maleável e resistente que é relativamente simples de coser à alcatifa).

 

 

Andámos um bocadinho perdidos com circuitos de leds em série e em paralelo (coisa de principiantes, mas que faz parte do processo), mas não demorou muito até se fazer luz no Fablab.

 

1 SETEMBRO 2015
“Pacman II”

A Carina apareceu hoje no Fablab para fazer uma versão quase final do seu marcador de mochila luminoso, em que andamos a trabalhar nas últimas semanas.

Trazia os novos desenhos para cortar a alcatifa na cortadora laser e os esquemas finais do circuito elétrico que põe a pastilha do Pacman a brilhar.

Aqui está todo o material que é preciso para fazer o marcador Pacman:

 Começámos por cortar a alcatifa na cortadora laser. O corte em negativo na alcatifa cinzenta, que permite embutir as outras imagens, não seria possível num trabalho manual.

O circuito elétrico é bastante simples: uma pilha, um led e um interruptor que é, na realidade, uma mola de pressão das que se usam em costura.

O circuito é costurado na alcatifa com um fio metálico muito fino e maleável, tal como se fosse uma linha de coser. Aviso: usem um dedal, porque a alcatifa vai dar alguma luta.

 

 

 

O circuito elétrico fica escondido entre as duas peças de alcatifa, que são coladas com cola quente, assim como as imagens do Pacman e do fantasma.

 

Este é o resultado final do nosso protótipo. Todas as ligações do circuito estão escondidas no interior da alcatifa. Apenas se vê o led e a mola, que serve de interruptor.

E quando se fecha o marcador: blinc! Aqui está ele a iluminar a minha mochila.

Para saber todos os detalhes sobre a construção deste marcador luminoso, é só aparecer na Maker Faire de Lisboa no próximo dia 20 de setembro de manhã. A Carina (e nós) vamos lá estar a explicar como se faz.

10 SETEMBRO 2015
E agora ao contrário…

O circuito simples do marcador de mochila luminoso está dominado. Mas aplicá-lo aos outros acessórios desenhados pela Carina, como uma carteira, traz um problema prático. Sempre que a carteira estiver fechada dentro do bolso ou da mala, o led fica ligado e quando chegamos ao momento em que queremos surpreender os amigos com uma rodada no bar, apaga-se.

O ideal seria inverter o funcionamento do sistema, mas para quem se está a iniciar em wearables não é trivial. A sorte é que no Fablab há sempre alguém que sabe. E, neste caso, foi o Diogo Melo, que acabou de mudar a Melo Industries para uma das salas do lado, que nos apresentou ao transístor, não sem alguma resistência (piada óbvia, mas tinha que ser).

Isto foi o que o Diogo nos mostrou e parecia funcionar. Mas, e agora transformar isto numa carteira?*

Fomos para casa processar a informação e hoje voltámos à carga. Eu comecei com um protótipo em papel e a Carina lançou-se logo à alcatifa.

Ainda temos que reposicionar alguns componentes do circuito para que tudo fique mais funcional, mas olhem só para isto:

*mais tarde viemos a saber que o Diogo esconde uma agulha e um carrinho de linha condutora numa das suas caixas de ténis Adidas.