APARELHO DE TEAR: EtelBert (Diário de Projecto)

O que acontece quando convidamos artesãos a trocar os seus ateliês pelo Fablab Lisboa durante algumas horas e os pomos a trocar ideias com os makers? Uma artesã a fazer experiências na cortadora laser e a equipa do Fablab a aprender a usar um tear (ainda não chegámos lá, mas vamos no bom caminho…).

Esta publicação tem como objetivo documentar os projectos desenvolvidos pelo FabLab Lisboa em colaboração com a Associação de Artesãos da Região de Lisboa convidada no âmbito da maior mostra de invenções, criatividade e engenho a acontecer de 18 a 20 de Setembro em Lisboa: Maker Faire Lisbon.

#digitalcrafts

 

18, 19 e 20 de setembro de 2015
EtelBert 1.0 na Lisbon Maker Faire

O EtelBert 1.0 esteve na Lisbon Maker Faire e fez sucesso entre artesãos, professores, milhares de curiosos e até profissionais da indústria têxtil.

Muitos visitantes, especialmente os mais novos, quiseram experimentar o EtelBert e fomos anotando algumas das suas sugestões para melhorar o funcionamento do tear. O EtelBert não para de melhorar.

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No final da feira, a nossa coleção era de quatro mini-cachecóis que resultaram do trabalho colaborativo de dezenas de visitantes. Até o robot da Maker Faire se juntou ao grupo.

O workshop de construção do EtelBert ficou esgotado nos primeiros minutos após a abertura das inscrições. A turma era apenas de 9 participantes mas o espaço rapidamente ficou pequeno para tantos curiosos.

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Os participantes começaram por montar os seus EtelBert, seguindo as indicações do Alexandre Cardoso do Fablab Lisboa e com a ajuda do resto da equipa. Aos poucos, a mesa foi ficando cheia de EtelBerts azuis.

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Depois foi a vez da artesã Etelberta Oliveira entrar em cena e explicar como se monta uma teia e os princípios básicos da tecelagem. Passado pouco tempo começaram a nascer os primeiros cachecóis.

 

 

E no final, a foto de grupo com a equipa do Fablab Lisboa, as artesãs Etelberta Oliveira e Carina Trigueiros e os participantes do workshop. Estes dez EtelBert já têm dono. Em Outubro, haverá mais workshops no Fablab Lisboa com novos EtelBerts acabadinhos de sair da cortadora laser.

SEGUNDA-FEIRA, 7 SETEMBRO 2015
Apresentação do EtelBert 1.0s

Antecipámo-nos ao lançamento do iPhone 6s e pusemos cá fora o novo EtelBert 1.0s, desta vez todo em acrílico branco e incolor.

Alexandre Cardoso, do FabLab Lisboa e a artesã Etelberta Oliveira observam com detalhe o novo EtelBert 1.0s.

 

Só quem já teceu com um EtelBert 1.0s percebe as diferenças relativamente ao anterior modelo:

  • um sistema de controlo dos órgãos muito mais eficaz;

  • um sistema inovador de travamento do pente em posição de urdidura;

  • um pente mais largo, que permite fazer cachecóis para pescoços mais sensíveis ao frio.

A montagem do EtelBert 1.0 aconteceu na passada quinta-feira, mas só hoje é que o pusemos verdadeiramente à prova com a montagem da teia, totalmente por nossa conta e apenas com o video-tutorial da Etelberta para nos guiar. E não é que conseguimos?!

Ainda com a teia por acabar fomos supreendidos por uma visita da artesã Etelberta Oliveira e da sua aluna de tecelagem na Associação dos Artesãos da Região de Lisboa, a Fernanda, que ficou bastante surpreendida com o método simples de urdir a teia que usamos no nosso tear.

A Etelberta testa a EtelBert 1.0s.

O novo EtelBert foi muito elogiado (eu fiz questão de o deixar bem penteadinho para ocasião), mas mesmo assim ainda lhe encontrámos uns pequenos ajustes a fazer. Parece que o EtelBert vai ter que voltar ao laser para um pequeno lifting.

Pelo andar da coisa, a próxima versão já deve vir com “Siri” e GPS.

Fernanda, a aluna de tecelagem da Etelberta ajuda a equipa do Fablab a melhorar o EtelBert 1.0s.

Texto por Leonel Alegre – Colaborador em regime de Voluntariado do FabLab Lisboa

SEGUNDA-FEIRA, 24 AGOSTO 2015
A Estreia de Etelbert

A artesã Etelberta Oliveira passou a manhã connosco no FabLab Lisboa para nos explicar como se monta uma teia no tear “EtelBert”.

Trouxe um novelo de lã cinzenta em forma de queijo da serra e um novelo de lã vermelha em forma de queijo flamengo. A primeira tarefa do dia, não registada pela câmara, foi desembaraçar os novelos mais pequenos, que estavam todos emaranhados. A Ana, voluntária do Fablab, ofereceu-se logo. Um clássico a fazer lembrar os serões em casa das avós.

A primeira etapa para pôr um tear a funcionar é urdir a teia (os fios longitudinais que ficam no sentido do comprimento do tecido). Estes fios têm que estar alinhados numa ordem específica e ficar bem esticados antes de serem enrolados no tear.

Normalmente, a Etelberta urde a teia numa peça específica chamada urdideira, e só depois a passa para o tear. Neste caso, a forma mais simples de urdir a teia é fazê-lo diretamente no EtelBert. Para isso, improvisámos um sistema utilizando um grampo de carpinteiro que estava ali mesmo ao lado.

É um processo algo demorado, que exige paciência e atenção. Demorou, no total, cerca de uma hora a completar. Prometemos fazer um tutorial com as explicações passo a passo (não houve um único detalhe que tivesse escapado à Ana…).

Aqui a teia já está finalizada. Os fios são amarrados nos dois rolos (ou órgãos) do tear e enrolados em torno do rolo de trás. Estávamos prontos para começar a tecer. A Etelberta deu as primeiras laçadas mas rapidamente passou a navete para as mãos da equipa do Fablab.

O primeiro a assumir o comando do EtelBert foi o Alexandre, que o desenhou, fabricou e montou. E portaram-se os dois bem, como se pode ver pelo sorriso.

Depois foi a vez da Ana, que até ensaiou um novo tipo de laçada para provar que os teares de pente-liço podem ser mais versáteis do que parece à primeira vista.

E quando chegou a minha vez inventei um tipo de laçada chamado desastre. Infelizmente o EtelBert ainda não vem com as teclas Control-Z. Mas ao fim da segunda laçada já lhe tinha apanhado o jeito.

O EtelBert passou o primeiro teste, sob o olhar exigente da Etelberta. O acrílico é suficientemente resistente para manter a tensão nos fios sem comprometer a estrutura do tear e o sistema de travamento dos rolos revelou-se bastante resistente e funcional. Ainda assim, percebemos que há alguns melhoramentos a fazer:

Alterar a dimensão e posição dos orifícios dos órgãos, para os fazer corresponder à posição das ranhuras no pente;

  1. Alterar a posição da trave estrutural traseira, para facilitar a montagem da teia;
  2. Acrescentar ranhuras que permitam a fixação do tear à mesa (hoje tivemos que improvisar);
  3. Alterar a posição da trave estrutural traseira, para facilitar a montagem da teia;
  4. Alterar a posição da trave estrutural traseira, para facilitar a montagem da teia;
  5. Acrescentar ranhuras que permitam a fixação do tear à mesa (hoje tivemos que improvisar);
  6. Aumentar a altura da posição mais elevada do pente;
  7. Encontrar uma forma de travar o pente na posição neutra;
  8. Baixar ligeiramente o órgão de trás;
  9. Gravar uma marca no centro dos órgãos e do pente para facilitar o alinhamento da teia.

Estamos orgulhosos, EtelBert!

SEXTA-FEIRA, 14 AGOSTO 2015
Etelberta meets Etelbert

Nasceu “O EtelBert 1.0”, o primeiro tear original desenvolvido e produzido no FabLab Lisboa, em conjunto com a artesã Etelberta Oliveira. É um protótipo de um tear de pente liço que terá a sua estreia em workshops de iniciação à tecelagem já na próxima Maker Faire Lisboa.

#fablablisboa #makerfairelisboa #digitalcrafts

“O Etelbert 1.0” é uma versão melhorada dos teares de pente liço disponíveis no mercado, com as sugestões da artesã Etelberta Oliveira, e adaptada à fabricação numa cortadora laser. “O Etelbert 1.0” pretende ser rápido de fabricar e montar e fácil de utilizar por principiantes (ou totós) em tecelagem.

Enquanto não fazemos o gosto ao dedo, tivemos um micro-curso online de tecelagem, que nos ajudou a melhorar o protótipo d’ “O Etelbert” e que nos começa a preparar para o workshop da Maker Faire Lisboa.

Uma das principais preocupações da artesã é a resistência do tear produzido em acrílico. Serão feitos alguns ajustes nas traves para aumentar a sua estabilidade e será fabricada uma versão em contraplacado para comparar a resistência dos dois materiais. Vamos ainda melhorar os desenhos dos órgãos e do pente e criar uma posição para encaixe do pente quando se estica o tecido (depois explicamos).

A artesã Etelberta Oliveira põe à prova o “El peruano”, uma miniatura de um tear de pedais tipicamente peruano produzido no Fablab Lisboa.

Apesar de não estar ainda completamente terminado, “O Etelbert 1.0” foi apresentado ao seu primo “El peruano” e causou alguma inveja pela sua simplicidade. No próximo encontro é a vez do nosso “Etelbert” começar a tecer. “El peruano”, estás tramado! (piada técnica não acessível a totós em tecelagem).


Texto por Leonel Alegre – Colaborador em regime de Voluntariado do FabLab Lisboa

QUARTA-FEIRA, 12 AGOSTO 2015
Sai um tear.

A Ana e o Alexandre avançam no desenho e produção de um tear original do FabLab Lisboa. Daqui a dois dias vamos submeter o primeiro protótipo à aprovação da tecelã Etelberta Oliveira. Sentem alguma pressão nas nossas caras?

Fizeram-se alguns testes em madeira e acrílico para testar a resistência da estrutura e dos diferentes componentes. A escolha do material é importante, não só para garantir a durabilidade do tear, mas também para minimizar o risco de corte dos fios no contacto com as arestas.

Uma das partes mais complexas do tear é o sistema de travamento dos rolos onde se prendem os fios da urdidura. É este sistema que mantém os fios sob tensão, garantindo que o tecido fica bem esticado. É também a peça que levanta mais problemas em termos estruturais e de resistência. Aqui está a evolução do sistema de travamento em acrílico desenhado pelo designer do FabLab Lisboa Alexandre Cardoso.


Texto por Leonel Alegre – Colaborador em regime de Voluntariado do FabLab Lisboa

 

QUINTA-FEIRA, 6 AGOSTO 2015
Missão Cumprida.

O tear que fabricámos no Fablab Lisboa a partir de um desenho de um tear tradicional peruano teceu hoje pela primeira vez.

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O próximo passo é desenhar e construir um tear Fablab Lisboa com a ajuda da tecelã Etelberta Oliveira. O resultado deste projeto será mostrado na próxima Maker Faire de Lisboa, nos dias 18 a 20 de setembro no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva.
Texto por Leonel Alegre – Colaborador em regime de Voluntariado do FabLab Lisboa


QUARTA-FEIRA, 5 AGOSTO 2015
Visita ao ateliêr da tecelã Etelberta.

Fui visitar o ateliê da Etelberta para ver se havia ali alguma solução interessante para o nosso tear. Acabei por ter uma aula de teoria da tecelagem entre outras histórias.

Se um dia quisermos fazer um tear de dois ou quatro quadros, este sistema de manivelas é muito simples. Substitui os pedais dos teares de chão e parece-me um sistema mais simples do que vimos no tear de 4 quadros que a Etelberta levou ao Fablab. Para o tear-pente não se aplica mas funcionaria melhor do que os pedais na versão de mesa do tear de Lima:
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Todos os teares têm calhas onde deslizam os quadros, ao contrário do tear de Lima. Se um dia fizermos um, deve ter calhas, de acordo com a Etelberta:

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Exemplos de manípulo que controlam o rolo o lado exterior. De acordo com a Etelberta, o melhor exemplo é o último, em que o próprio travão está no exterior do tear. Mas já tínhamos visto que se calhar temos que adotar outro sistema de travamento (pinos?):
rolo_small travamento exteriorE é tudo por agora.
Texto por Leonel Alegre – Colaborador em regime de Voluntariado do FabLab Lisboa

 

TERÇA-FEIRA, 21 JULHO 2015
Artesãos Digitais. 

Estamos a iniciar um trabalho colaborativo com a AARL (Associação de Artesãos da Região de Lisboa). Como principais objectivos está o de aproximar a comunidade “maker” da comunidade de artesãos possibilitando troca de conhecimentos e o reconhecimento por parte da comunidade “maker”  da importância e do valor ancestral dos saberes e das técnicas da produção manual, valorizando-se a produção humanizada num contexto emergente de produção e fabricação digital. Procuramos estabelecer a complementaridade entre os espaços onde se pode fazer quase tudo (Fablab’s) e pessoas que podem fazer quase tudo (artesãos). Como intervenientes no processo estão alguns artesãos da AARL e a equipa do Fablab Lisboa. Consideramos quatro temáticas com ponto de partida dos projectos: as técnicas, as ferramentas, os materiais e os produtos.
Texto por Alexandre Cardoso – Designer do FabLab Lisboa

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