Vortex : : Interactive Landscape

VORTEX

 

Projecto desenvolvido no âmbito do Mestrado Design de Comunicação e Novos Media da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa

O projecto Vortex é a representação de uma comunidade do microorganismo Paenibacillus Vortex, uma bactéria conhecida pelo seu peculiar comportamento social e pela sua habilidade em sobreviver em ambientes adversos.

Deve-se à constante renovação do código genético a possibilidade do desenvolvimento de um organismo em condições que não lhe são favoráveis. Tal é semelhante ao conceito de neuroplasticidade, onde o cérebro reformula as suas redes neuronais quando sujeito a qualquer estímulo de aprendizagem.

Para representar esta comunidade construiu-se uma instalação interactiva,  cuja interação com o meio é efectuada em dois sentidos, input e output. Como input, é considerado o movimento, ou as ondas vibracionais resultantes do acto de movimento de um qualquer interlocutor. Como output, a comunidade transforma este estímulo, através da programação de plataformas Arduino, propagando-o através de efeitos luminosos e sonoros.

Pretende-se criar uma experiência renovada de um meio físico e sensorial, através da interação entre a comunidade e um interactuante, para redefinir o paradigma relacional entre as pessoas e os espaços.

Conceito
Ao longo da história a música une e permite estreitar laços entre distintas culturas. A música é inata para o ser humano, sendo profundamente emocional e também abstracta, procura-se hoje entender de que forma é que a música pode desenvolver melhor qualidade de vida para o ser humano. A música é hoje objecto de estudo na área das ciências neurológicas.

A capacidade biológica de moldagem ou plasticidade, está intrinsecamente ligada à capacidade de adaptação por parte de um ser biológico, tal verifica-se por exemplo a nível da reformulação da expressão génica como resposta a alterações do meio – quando sujeitos a estímulos externos de qualquer ordem, adaptamo-nos de forma a que tenhamos a maior capacidade de sobrevivência e reprodução. A nível neurológico, a neuroplasticidade é a capacidade de um tecido nervoso cerebral se adaptar a uma nova realidade de acção. Cada actividade iniciada determina a reorganização do processamento de informação, consequentemente ao surgimento de novos circuitos neuronais, onde a repetição e rotina de execução de uma tarefa promove a eficiência na realização desta. O cérebro, em constante moldagem, retém e armazena informação, ou seja, memoriza sob a forma de ligações nervosas activadas através de estímulos sensoriais.

O conceito de plasticidade cerebral aplicado ao estímulo musical é semelhante ao processo de reformulação e aumento de densidade de circuitos neuronais, onde alterações estruturais a nivel das redes neuronais são promovidas. Supõe-se que o estímulo musical pode activar o córtex visual, talvez pela tentativa por parte do cérebro de construir uma imagem visual da música, desencadeia reações meânicas, entre as quais acções motoras que nos levam a reagir através do bater do pé ou do abanar de anca.

Processo

processo_fablab

A ideia do projecto consiste na criação de uma paisagem interactiva a partir de uma estrutura e da interação que é establecida pelo indivíduo. Constituído por sensores electrónicos, permite que luz e som respondam à intensidade e forma do movimento dos interlocutores, partindo do local de interação. Em função da constituição da estrutura, a interação gera uma reação em cadeia dos elementos esféricos propagando a reação de um primeiro sensor com os restantes elementos constituintes da instalação que reagem à emissão de luz.

Feitas as plantas e uma vez escolhido o material, o FabLab – Fabrication Laboratory – foi um facilitador no  desenvolvimento do projecto que permitiu que se procedesse à planificação e corte no material escolhido numa fresadora de grande formato (big milling machine).

Após a montagem da base, o processo do sistema eléctrico foi moroso quer pela quantidade de LEDs, resistências e fios que tiveram que ser soldados quer por tudo o que estava ainda por aprender. Uma vez soldados os cabos e encaixados os LEDs na base e nas esferas procedeu-se às experiências de programação que se deram no Centro de Electrónica Aplicada com o apoio da Hacker School Lisbon – Instituto Superior Técnico de Lisboa.

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Materiais

  • 39 Bolas de ping-pong
  • 39 LEDs (alta luminosidade)
  • Resistências 150 R
  • Fios condutores
  • 3 Piezos + altifalante
  • 3 Sonar HC-SR04
  • 3 fontes de alimentação
  • Contraplacado de choupo
  • Primário
  • Tinta preta
  • Cola

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Resultado
Uma base suporta a estrutura de trinta e nove módulos e actua segundo processos exploratórios do operador – as zonas de interacção. Divididos os módulos em três grupos, onde cada grupo é composto por treze esferas, cada grupo apresenta a aptidão de reagir ao movimento de aproximação de um interlocutor,  onde através de um sonar, ou sensor de movimento, desencadeia uma dança de luz e som. Podemos considerar o Vortex como um fenómeno que varia em crescendo, a cada conjunto acção/reacção, verifica-se a propagação da resposta de um grupo para os outros, um raciocínio que está em linha de acção comparativamente ao comportamento emergente do Paenibacillus Vortex, este reage aos estímulos para com a sua comunidade e gera estímulos à comunidade.

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Para que o projecto fosse exequível foi necessário fazê-lo a uma escala menor do que a desejada. Idealmente cada esfera não ocupa menos de 1,5 metros (variável) e o conjunto de esferas também pode variar de acordo com o espaço. Cada esfera é um acumulador de energia solar em que durante o dia absorve energia emitindo som, libertando-a pela noite num permanente diálogo sonoro e luminoso. O seu sentido estético e lúdico pretende aludir ao comportamento das pessoas e ao modo como interactuam entre si e o meio.

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Agradecimentos
Rodrigo Capeleiro (Hacker Lisbon School – IST), Rafael Calado, Rui Sequeira (FabLab Lisboa), Senhor Guilherme (Carpintaria Duran / FabLab), Mário Almeida (FCT), Ana la Féria, Filipa Barradas (IADE), José Branco, Vasco Carrondo