Puzzle 3D do Pavilhão dos Desportos (Pavilhão Rosa Mota | Palácio de Cristal), Porto, 1952, Arquitecto José Carlos Loureiro

Projecto feito no âmbito da exposição e workshop “Juventude: Projectos”, organizados através da parceria entre a Sociedade Nacional de Belas Artes e o FabLab Lisboa.
Foi utilizada a máquina de corte a laser.

“José Carlos Loureiro é o arquitecto com mais obra construída na cidade do Porto.

Paradoxalmente é um nome quase desconhecido por parte da população da cidade, quando comparado com outros colegas de profissão, outrora até seus alunos, cujo reconhecimento atravessa mesmo as fronteiras do nosso país. Não deixa por isso, de ser um arquitecto de qualidade comparável à destes, como comprova a sua obra e a distinção de mérito que o município que atribuiu em 2009.

O projecto para o Pavilhão dos Desportos (actualmente denominado Pavilhão Rosa Mota), foi apenas o seu terceiro trabalho enquanto arquitecto, recém-formado. Por vários factores, este edifício tornou-se num ícone da cidade: pelo local, pela função, mas sobretudo pela sua forma, marcante, forte, quase estranha. Mas ela é também suave, adaptada ao arvoredo, encaixada na colina como se dela brotasse, admirando a foz do Douro.

Pretende-se aqui, vincar e demonstrar, as mais brilhantes qualidades deste que é, um símbolo incontestável do Porto. O edifício está inevitavelmente, presente na memória colectiva dos portuenses, facto que por consequência se revela também na identidade da metrópole e da sua população.

Esta que é a maior sala da cidade, está hoje subutilizada, menosprezada, até mesmo esquecida. Por todas estas razões, criou-se um souvenir em sua homenagem, um objecto que apela à sua recordação, destacando os princípios que o tornaram um ícone. Ao mesmo tempo, este objecto, um puzzle tridimensional, montável e desmontável, incentiva a aprendizagem da arquitectura, demonstrando os princípios técnicos do edifício, assumindo um carácter de brinquedo.

Ao apenas se reproduzir o esqueleto principal da estrutura, destacam-se os motivos que originaram a sua forma: a função do edifício, que torna necessário vencer um enorme vão livre, que assim se torna também na técnica. Salienta-se esta atitude para com a disciplina, em que a forma surge como resposta a um ou vários problemas, ao contrário de outras abordagens, onde a forma surge como capricho ou simples vontade de fazer diferente, para se fazer notar. Estes, são intencionalmente ícones, ainda antes de saírem do projecto.

Comprova-se, que respondendo aos preceitos mais básicos da arquitectura – a função, o espaço, a técnica e as pessoas – cria-se arquitectura de qualidade, para servir e para se viver, onde a importância e simbolismo de ícone, se vai adquirindo à medida que o edifício é usado, provando assim o real valor, para a cidade e para os seus habitantes.

Admite-se ainda, que o construtor do puzzle possa terminar o edifício, nomeadamente a cobertura da cúpula, com total liberdade, à semelhança do que acontece na arquitectura real, que só está completa quando é vivida e experimentada pelos utilizadores.”

Rossana Ribeiro

corte a laser

Exposição. Fotografia de Luís Giestas.

Exposição. Fotografia de Luís Giestas.

 

Exposição. Fotografia de Pedro Sadio.

Exposição. Fotografia de Pedro Sadio.

 

Exposição. Fotografia de Pedro Sadio.

Exposição. Fotografia de Pedro Sadio.

 

Instruçoes de montagem